O CUIDADOR

 

 

“O CUIDADOR

Existe um tipo de padrão emocional onde a pessoa esquece de si mesma e foca suas energias em cuidar dos outros.

Acontece uma inversão de prioridades onde os problemas das outras pessoas se tornam mais importantes do que seus próprios problemas.

Obviamente, isso acaba gerando sobrecarga, estresse e falta de realização, já que todos nós temos tempo limitado para cuidar do que é nosso e ao gastar esse tempo e energia fora fica mais difícil alcançar nossos objetivos.

Pode gerar ainda problemas com o marido ou esposa pois o cônjuge que prioriza resolver assuntos fora do seu núcleo familiar principal para ajudar amigos e outros parentes, deixa as coisas de casa em segundo plano. E assim surgem conflitos em casa.

Em um estado mais avançado desse padrão, o cuidador só atrai pessoas cheias de problemas para se relacionar, e quanto mais problema, melhor. Sente atração por isso.

Se envolve em resolver situações de outras pessoas que são adultas e que poderiam por elas mesmas lidar com seus problemas e as consequências dos mesmos.

Querem se sentir úteis, bem vistas, importantes. No fundo, querem ser amadas e apreciadas.

Sendo que o que acaba acontecendo na verdade é que atraem pessoas acomodadas, vitimistas e muitas vezes aproveitadoras. Acontece uma simbiose com essas pessoas.

Atendi uma cliente que tinha um certo nível desse padrão.

No caso dela, cuidava dos problemas dos irmãos, sendo ela a mais nova. Era a mais bem sucedida financeiramente da família e foi a que chegou mais longe nesse sentido. Sua mãe, hoje já falecida, lhe dizia para ela nunca abandonar os irmãos e ajudá-los pois ela era "mais forte".

Ela assumiu bem esse papel. Sentia pena dos irmãos e vivia resolvendo pepinos financeiros. Até que com a terapia com a EFT se libertou do sentimento de pena e do peso que havia assumido pra si através das palavras da mãe.

Agora ela consegue entender que os irmãos são adultos, responsáveis por resolver seus problemas, e capazes de suportar as consequências de seus problemas quando não os resolvem. O que é o normal da vida de qualquer adulto.

Em casos mais extremos, o padrão do cuidador pode levar a pessoa a se relacionar com pessoas com problemas mais graves como depressão, vícios, compulsões (por compra, comida, jogo e etc.), transtorno bipolar, pessoas com sérios problemas financeiros, pessoas violentas e outras dificuldades.

Com a EFT conseguimos ajudar o cuidador a liberar o sentimento de pena e culpa, o que facilita muito a saida desse papel. A pena coloca a pessoa num lugar de salvador dos outros, que é um papel que no fundo é bem arrogante.

Crianças que receberam a incumbência de cuidar dos irmãos podem desenvolver esse papel, com o caso da cliente que eu relatei. Mas isso também pode acontecer com pessoas onde a infância foi marcada por traumas de rejeição, abandono ou abusos.

Assim, a criança se torna um adulto que vive em busca de ser reconhecido e amado e vive ajudando outras pessoas na tentativa de receber o que precisa emocionalmente.

Muitos terapeutas têm ou já tiveram algum nível de distúrbio nesse sentido que os leva a sentir uma dependência de ajudar os outros.

Nesses casos, podem ter dificuldade de cobrar e se sobrecarregam demais. Isso pode e deve ser curado para que se torne um profissional equilibrado, que ajuda as pessoas, consegue cobrar e dar limites para ter uma vida tranquila.

Com a EFT conseguimos curar as feridas emocionais da infância, mesmo as mais profundas e enraizadas por traumas repetidos.

Assim a pessoa sai desse padrão do cuidador e se torna um adulto pleno, que prioriza a si mesmo e a família nuclear, e não fica mais emaranhado tentando resolver o sofrimento alheio. Passa a aceitar e confiar que cada um tem o seu destino e é capaz de lidar com ele.”

(Texto compilado de André Lima – Fundador do Instituto EFT Brasil)

 

JORGE RAMOS - Terapeuta

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